César Bridi Filho
Psicólogo, Psicanalista, Dr. em Psiquiatria (UFRGS). Especialista em disfunções sexuais e comportamento sexual de risco. Santa Maria/RS. CRP 07/06594
Apresentação
Psicólogo, Psicanalista e Doutor em Psiquiatria – Ciências do Comportamento pela UFRGS. Prática clínica voltada para a Psicanálise e as interfaces com o campo do comportamento sexual: disfunções sexuais, parafilias e comportamento sexual de risco. Atendimento clínico a qualquer orientação sexual ou identidade de gênero.
Ao longo de mais de 20 anos, construiu carreira dividida entre a clínica, docência universitária (UFSM, ULBRA, FISMA) e pesquisa em sexualidade humana, com produção publicada em periódicos internacionais (Frontiers in Psychology e Journal of Sexual Medicine), além de livros e materiais didáticos vinculados à saúde mental.
Pesquisador responsável pelo grupo de pesquisa Ciência e Descomportamento, voltado para a pesquisa em imagem corporal e comportamento sexual.
Coordenador técnico do Ambulatório Transcender, serviço público (SUS) de referência no interior do Rio Grande do Sul para saúde mental da população LGBT+. Colunista do Diário de Santa Maria.
Atualmente atende em consultório particular e leva a discussões corporativas, educacionais e institucionais sobre diversidade e saúde mental sua experiência de duas décadas entre a ciência e a prática clínica. Atende pessoas de qualquer orientação sexual ou identidade de gênero.
Método de trabalho
Como o atendimento funciona?
- Primeira consulta
- Tem duração de aproximadamente uma hora. Nela, conversamos sobre o que motivou sua procura e avaliamos juntos se este é o espaço adequado para o que você traz. Não há compromisso de continuidade a partir dela.
- Formato
- Presencialmente em Santa Maria/RS e à distância, por videoconferência, para pessoas de qualquer lugar do país ou do exterior. O atendimento online segue os mesmos princípios técnicos do presencial e é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia.
- Frequência e duração
- São definidas caso a caso, a partir da primeira conversa. Não trabalho com pacotes fechados nem com número pré-determinado de sessões.
- Sigilo
- Tudo o que é dito em sessão está protegido pelo sigilo profissional, previsto no Código de Ética do psicólogo.
Por que psicanálise?
Há tratamentos que buscam corrigir o sintoma. A Psicanálise se interessa por outra coisa: pelo que o sintoma está dizendo.
Isso muda o ritmo do trabalho. Não se trata de aplicar uma técnica sobre uma queixa, mas de acompanhar alguém enquanto reconstrói o sentido daquilo que lhe acontece. O que aparece como fracasso, repetição ou estranheza costuma ter uma lógica própria, e é essa lógica que a clínica psicanalítica procura.
Escolhi a psicanálise porque, nos temas com que trabalho, o sintoma quase nunca é o problema inteiro.
E porque o tempo de cada um não cabe em protocolo.
Psicanálise e sexualidade
A Psicanálise nasceu de uma escuta sobre a sexualidade. Não a sexualidade entendida como desempenho ou genitalidade, mas como aquilo que organiza o nosso desejo, os vínculos e a relação de cada um com o próprio corpo desde muito cedo.
Essa origem tem uma consequência prática: para a Psicanálise, uma queixa sexual nunca é apenas sexual. Ela está enredada na história do sujeito, nas suas primeiras relações, no que lhe foi permitido ou proibido desejar.
Por isso, quando alguém chega com uma dificuldade sexual, a pergunta não é apenas "o que está funcionando mal?", mas "o que isso veio dizer, e por que agora?".
Por que tratar questões sexuais a partir da psicanálise?
Muitas queixas sexuais respondem bem a intervenções focais e de curta duração e, quando é esse o caso, encaminho ou trabalho nessa direção.
Porém, há situações em que o sintoma retorna, muda de forma ou resiste a toda tentativa de correção direta. São os casos em que a dificuldade não está no que a pessoa faz, e sim no lugar que aquilo ocupa na sua história: uma culpa que não se nomeia, uma repetição que não se explica, um desejo que a própria pessoa não reconhece como seu.
É nesse terreno que a Psicanálise trabalha melhor. Não porque seja superior a outras abordagens, mas porque foi construída exatamente para escutar aquilo que não se resolve por instrução.
Minha formação reúne as duas coisas: a Psicanálise como método de escuta e a produção científica em sexualidade como base de conhecimento. Uma não anula a outra.
Quando o corpo não acompanha o desejo: disfunção sexual
Disfunção sexual é, provavelmente, o motivo de sofrimento sexual mais comum e o menos comentado. Pode aparecer em qualquer fase da resposta sexual (desejo, excitação, orgasmo) e quase nunca tem uma causa só.
No início do atendimento, o que aparece é o sintoma e o sofrimento. Todo sintoma tem uma história, toda história foi uma tentativa de não mostrar um sofrimento maior. Muitas coisas que aparecem nas falhas do corpo são, na verdade, uma forma própria de explicitar o sofrimento e um pedido de ajuda.
O processo terapêutico trabalha na busca pela solução do problema e pela compreensão desse sintoma na vida de quem busca auxílio.
O que é comportamento sexual de risco?
Comportamento sexual de risco é uma expressão usada para descrever práticas ou padrões que expõem a pessoa a consequências concretas à saúde, aos vínculos, à vida social ou profissional e aumentam a vulnerabilidade a danos físicos, psíquicos e sociais.
O termo é técnico e precisa de cuidado. Ele não descreve preferências, orientações ou práticas consensuais que fogem à norma. Descreve situações em que há risco real e, quase sempre, sofrimento associado: a repetição que escapa ao controle, a exposição que a pessoa reconhece como perigosa e ainda assim mantém, o impulso que se impõe sobre a própria decisão.
A diferença entre o que é risco e o que é apenas diverso não se decide por moral, mas por critério clínico, e por aquilo que a própria pessoa experimenta como sofrimento. Essa é, muitas vezes, a primeira coisa a ser esclarecida no atendimento.
Para quem (não) é este espaço terapêutico?
Este não é um espaço de respostas rápidas, nem de protocolos prontos para "resolver" em três sessões o que se formou ao longo de uma vida.
Também não é um espaço para quem busca confirmação de que está certo, ou validação de que o outro está errado.
É um espaço para quem está disposto a escutar a si mesmo com mais tempo do que costuma ter paciência, mesmo que isso signifique, no início, ficar com mais perguntas do que já tinha.
O que eu faço
Formação
Alguns marcos da minha trajetória:
Pesquisa, publicações e trajetória
Pesquisa
Participação em pesquisa em toda a trajetória de formação.
Atualmente, pesquisador responsável pelo grupo de pesquisa Ciência e Descomportamento, formalizado desde 2023, com registro de pesquisas na Plataforma Brasil. Colaborador em projetos de pesquisa de áreas afins. O objetivo deste grupo é produzir pesquisa e conhecimento nas áreas de imagem corporal, sexualidade, violência, comunidade LGBT+ e práticas clínicas. Trabalhos iniciais já foram apresentados em congressos nacionais e internacionais.
Trajetória acadêmica
A trajetória profissional compreende interfaces com outras áreas da saúde, como Medicina e Enfermagem, além das áreas de Educação e Psicologia Social. Ao longo deste período foram construídos serviços, livros, publicações e atividades de trabalho. Entre as principais publicações anteriores estão:
Entrevistas, matérias e outros links
Crônicas
Escrevo uma coluna no Diário de Santa Maria há anos. São textos mais pessoais, de tom livre, com um certo humor. Os temas permeiam a fronteira entre observação clínica e reflexão sobre a vida cotidiana, uma busca de compreender e dividir uma forma de ver o movimento do mundo.
Esta seção reúne uma seleção dessas colunas. Não é reprodução de texto protegido por direito do jornal: é resumo com link para o original, ou republicação com autorização prévia do veículo.
Dúvidas frequentes
Preciso ter um diagnóstico para procurar atendimento?
Não. A maior parte das pessoas chega com uma queixa, não com um diagnóstico. Nomear o que acontece é parte do trabalho, não um pré-requisito para começá-lo. O que a análise busca entender é o que está por trás do sintoma, e isso também faz parte do processo.
Você atende casais?
O atendimento é individual. Em questão sexual, o vínculo sempre entra na conversa, mesmo quando só uma pessoa está em atendimento. Caso seja necessário, posso indicar colegas especialistas e qualificados que podem atender o casal.
O atendimento online funciona para esse tipo de questão?
Sim, funciona. Em muitos casos, a distância até ajuda a falar do que seria constrangedor dizer cara a cara. A avaliação do formato certo ocorre na primeira conversa.
Você atende por convênio?
O atendimento é particular. Dá para pedir recibo, para reembolso do plano (quando há previsão) ou para declarar no imposto de renda.
Como sei se preciso de psicólogo ou de médico?
Queixa sexual costuma misturar aspecto físico e psíquico. Quando há indicação de avaliação clínica ou medicamentosa, eu encaminho para um profissional capacitado e o trabalho psicológico pode seguir em paralelo.
Isso que eu sinto é normal?
Usar a normalidade como régua para os sentimentos costuma restringir mais do que expandir respostas. A pergunta que pode nortear o questionamento é outra: "o que isso está causando, e há quanto tempo?". Boa parte do que se sente sozinho parece estranho ou doloroso demais. No processo analítico, na prática clínica, essa pergunta inicial aparece com muito mais frequência do que se imagina.
Por que isso continua acontecendo, mesmo depois de eu tentar de tudo para que pare?
Quando alguma coisa insiste apesar do esforço consciente, geralmente é porque a origem dela não é consciente. Vontade não alcança o que a vontade não criou. É esse tipo de repetição que a análise se propõe a escutar, e permite que cada um escute a si mesmo de um outro modo, muitas vezes mais sensível e resolutivo.
Existe alguém que já falou algo parecido com o que eu vou dizer?
Após anos de clínica, posso dizer que sim. Não é exatamente o mesmo problema ou o mesmo cenário, mas processos psíquicos semelhantes. Boa parte do que parece único, quando é dito em voz alta pela primeira vez, revela ser bem mais comum do que a pessoa imaginava sozinha. Isso não diminui o que você sente, porém diminui o peso de achar que precisa carregar isso como exceção.
Eu preciso ter certeza do que é antes de procurar ajuda?
Não. A maioria das pessoas chega sem essa certeza. Chegam com uma sensação de que algo não vai bem, e isso já é suficiente para começar. Entender o que é, muitas vezes, é resultado do processo, não pré-requisito dele. O sintoma é revelador de que há muitas camadas a serem acessadas ao longo do processo. E, sim, certezas tendem a mudar ao longo do processo analítico.
E se o problema não for o que eu acho que é?
Acontece com frequência, e não é motivo para hesitar. O que motiva a primeira procura raramente é exatamente onde o trabalho termina. Em muitos casos, nem é onde ele realmente começa. Descobrir isso junto já faz parte da análise, e isso é essencial para o desenvolvimento do trabalho como um todo.